21/05/2016

Transtorno de Personalidade Esquizotípica

esquizotípica
O Transtorno de Personalidade Esquizotípica se caracteriza por um déficit nos relacionamentos íntimos e interpessoais, além de distorções cognitivas/perceptivas e comportamento excêntrico.
É um transtorno classificado no grupo A dos transtornos de personalidade. Junto com ele, estão nessa classificação o Transtorno de Personalidade Paranoide e o Transtorno de Personalidade Esquizoide.
O indivíduo com este transtorno sente um intenso incômodo nas relações, tendo todas ou algumas (pelo menos cinco) das características descritas no DSM-V. A saber:
1. Ideias de referência (excluindo delírios de referência).
Achar que algum acontecimento casual e/ou externo tem um significado especial. Por exemplo: "o lápis caiu da minha mesa porque Deus quer me passar uma mensagem".
2. Crenças estranhas ou pensamento mágico que influenciam o comportamento e são inconsistentes com as normas subculturais (p. ex., superstições, crença em clarividência, telepatia ou “sexto sentido”; em crianças e adolescentes, fantasias ou preocupações bizarras).
Os exemplos acima são do próprio DSM.
Pensamento mágico, em resumo, é achar que o mundo físico pode ser modificado pelo pensamento.
Excetuam-se as crenças vindas da religião. No caso do Transtorno de Personalidade Esquizotípica as crenças não são justificadas pela religião do indivíduo, sendo assim inconsistentes.
3. Experiências perceptivas incomuns, incluindo ilusões corporais.
Numa conversa, por exemplo, se enxergar de fora dela, como se estivesse se observando.
4. Pensamento e discurso estranhos (p. ex., vago, circunstancial, metafórico, excessivamente elaborado ou estereotipado).
Aqui os exemplos também são do próprio DSM.
5. Desconfiança ou ideação paranoide.
Escrevi sobre paranoia neste artigo. Na ideação paranoide o indivíduo desconfia que está sendo perseguido ou tratado de forma injusta.
6. Afeto inadequado ou constrito.
Inadequado quando a fala não está de acordo com a ação/demonstração. Constrito quando a expressão das emoções é reduzida e inexpressiva.
7. Comportamento ou aparência estranha, excêntrica ou peculiar.
8. Ausência de amigos próximos ou confidentes que não sejam parentes de primeiro grau.
9. Ansiedade social excessiva que não diminui com o convívio e que tende a estar associada mais a temores paranoides do que a julgamentos negativos sobre si mesmo.
Falei um pouco sobre o isolamento social neste artigo. Indivíduos esquizoides ou esquizotípicos preferem o isolamento como uma forma de defesa ao abandono. A frase “se eu te abandonar primeiro, não corro o risco de ser abandonado por você” descreve bem esse pensamento.
Alguns estudos comprovaram a relação entre familiares com Esquizofrenia e Transtorno de Personalidade Esquizotípica, o que aponta uma causa (também) genética.
Atenção! O transtorno de Personalidade Esquizotípica não é a Esquizofrenia e nem antecessor dela. Apesar de alguns autores o descreverem como uma versão branda da Esquizofrenia isso não significa que o transtorno se desenvolva para ela.

 

Diagnóstico

Os critérios acima, descritos no DSM-V, dão um norte para o diagnóstico, que deve ser feito pelo profissional da saúde mental (psicólogo e psiquiatra) afinal, como por exemplo no critério 01, deve se saber diferenciar ideias de referência de delírios.

Psicoterapia

Indivíduos esquizotípicos podem se beneficiar mais do que os esquizoides em psicoterapia devido à sua maior disponibilidade afetiva.
Remédios em dosagens baixas podem ser necessários. Ajudam na diminuição dos sintomas obsessivos e depressivos.
Os sentimentos provenientes da ansiedade social também aparecem na psicoterapia. O incômodo intenso em relacionamentos íntimos do dia a dia também é sentido na relação terapêutica. Por isso, assim como indivíduos paranoides e esquizoides, os esquizotípicos raramente procuram ajuda e muitas vezes são levados ao profissional (psicólogo ou psiquiatra) de forma forçada por algum familiar. Sendo assim, o silêncio muitas vezes é a forma principal de comunicação do paciente.
É na psicoterapia que o paciente esquizotípico pode dar novo significado às suas relações.
Fernando Parede
CRP 06/95263
Rua Itaqueri, 882, Mooca, São Paulo – SP
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Referências
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 992p.
GABBARD, GLEN O. Psiquiatria psicodinâmica na prática clínica. Quarta edição. Porto Alegre: Artmed, 2006. 462 págs.
WILLIAMS, PAUL. Tratamento psicoterapêutico dos transtornos da personalidade do grupo A. In: CLARKIN, J. F; FONAGY, P; GABBAERD, G. O. (OrgS.). Psicoterapia Psicodinâmica para transtornos da personalidade – Um manual clínico. Porto Alegre: Artmed, 2013. p. 181-201.

21/04/2016

Transtorno de Personalidade Esquizoide

esquizoideO Transtorno de Personalidade Esquizoide é caracterizado por um padrão de desconexão das relações sociais e de restrição da expressão emocional (DSM-IV). Assim como no Transtorno de Personalidade Paranoide, é raro que pacientes com Transtorno de Personalidade Esquizoide batam à porta do psicólogo ou psiquiatra em busca de mudanças. Muitas vezes, a contragosto, são levados por familiares preocupados com o comportamento do indivíduo com esse transtorno. Não é de se estranhar, então, que os estudos sobre o tema sejam escassos. Claro que existem exceções. Alguns pacientes procuram ajuda por não suportarem a dolorosa solidão.

Diagnóstico

Além da característica descrita acima, o DSM-IV-TR (quarta edição revisada) estabelece que para o diagnóstico do Transtorno de Personalidade Esquizoide o indivíduo deve apresentar pelo menos quatro dos seguintes critérios:
  1. não deseja, nem gosta de relacionamentos íntimos, incluindo fazer parte de uma família;
  2. quase sempre opta por atividades solitárias;
  3. manifesta pouco, se algum, interesse em ter experiências sexuais com um parceiro;
  4. tem prazer em poucas atividades, se alguma;
  5. não tem amigos íntimos ou confidentes, outros que não parentes em primeiro grau;
  6. mostra-se indiferente a elogios ou críticas e;
  7. demonstra frieza emocional, distanciamento ou embotamento afetivo.
Embotamento afetivo é a dificuldade em expressar emoções e sentimentos.
Apesar do DSM dar uma lista relativamente fácil, taxativa e descomplicada, o diagnóstico deve ser feito por profissionais da saúde mental. As vezes um paciente pode ter traços de personalidade esquizoide junto com traços de outros transtornos. Alguns critérios não são exclusivos de um transtorno, podendo aparecer em outro. Um exemplo claro disso é o Transtorno de Personalidade Esquizotípica, que também tem como critério o item 5 descrito acima: não tem amigos íntimos ou confidentes, outros que não parentes em primeiro grau. Outro exemplo é a semelhança com o autismo ou síndrome de Asperger.

A contradição

Se esses indivíduos, como descrito pelo DSM, preferem a solidão, por que então alguns procuram o psicólogo justamente por não aguentarem a mesma?
Acontece que preferir a solidão não significa exatamente desejá-la. Neste transtorno acontece uma espécie de “rejeição preventiva”, ou seja, a frase “se eu te rejeitar primeiro, não corro o risco de ser rejeitado por você” define bem o  estilo de pensamento dos esquizoides.
“Falar pelos cotovelos”, como a metafórica e conhecida expressão popular diz, não significa necessariamente contato emocional. Sendo assim, tanto na psicoterapia quanto nas interações sociais o indivíduo com este transtorno pode (em alguns casos) se comunicar muito bem e externamente demonstrar desenvoltura para se relacionar, porém internamente se sentir incomodado e com vontade de cessar o contato.

Tratamento

Tanto a psicoterapia individual quanto de grupo são indicadas no tratamento do Transtorno de Personalidade Esquizoide, mas pela ansiedade que a relação forçada pode provocar numa terapia de grupo, provavelmente o paciente se sinta mais à vontade na individual.
É na psicoterapia que o indivíduo tem uma nova experiência de relação, podendo ter uma nova experiência maturacional, pois o psicoterapeuta não se afastará como as outras pessoas, permitindo uma interação de maior prazo.

O silêncio

Pacientes esquizoides não se relacionam, por isso o silêncio com que o psicólogo se depara nas sessões com essas pessoas deve ser pacientemente entendido como a “forma de comunicação” essencial deles e não como uma fuga ou defesa. É assim que os esquizoides aprenderam a interagir com o mundo então não dá para esperar que a relação com o psicólogo seja diferente.

Fernando Parede

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Referências
American Psychiatry Association [APA]. (2002). DSM-IV-TR. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. (4a ed., C. Dornelles, trad.). Porto Alegre, RS: Artes Médicas.
GABBARD, GLEN O. Psiquiatria psicodinâmica na prática clínica. Quarta edição. Porto Alegre: Artmed, 2006. 462 págs.

07/03/2016

Transtorno de Personalidade Paranoide

Transtorno de Personalidade ParanoideA principal característica do Transtorno de Personalidade Paranoide é um padrão de desconfiança e suspeitas (infundadas) em relação aos outros, de modo que as suas intenções são interpretadas como malévolas. Vale lembrar que os Transtornos de Personalidade são variações extremas do comportamento “normal”, sendo assim, no Transtorno de Personalidade Paranoide a característica principal (desconfiança/paranoia) é uma condição onipresente nas relações do indivíduo com o meio na forma que o percebe e interage.
Meio, neste texto, são tanto as pessoas quanto as instituições das quais o indivíduo mantem relações, sejam elas significativas de longo prazo ou não.

Paranoia

Um artigo do site Psiquiatria Geral explica que o termo paranoia é “utilizado por especialistas em saúde mental para descrever desconfiança ou suspeita altamente exagerada ou injustificada”. Clarifica ainda que a simples desconfiança, baseada em experiências passadas não é paranoia, já que possui certa fundamentação para existir.
A paranoia não é um sintoma exclusivo do Transtorno de Personalidade Paranoide, podendo estar presente em outras psicopatologias como a Esquizofrenia Paranoide e o Distúrbio Delirante Paranoide. O grau da paranoia também é variável.

Sintomas além da paranoia

O padrão de convivência, que os acometidos por este transtorno têm, acarreta em diversos problemas de relacionamento seja conjugal, profissional ou pessoal, pois indivíduos paranoides são extremamente desconfiados.
No âmbito conjugal o transtorno pode se expressar, por exemplo, na forma de ciúme patológico e doentio por conta da dificuldade em acreditar na fidelidade do(a) parceiro(a). No ambiente de trabalho as desconfianças em relação aos superiores e colegas de trabalho, por exemplo achar que está sendo difamado, podem acarretar em diversas mudanças de emprego em vão ou até mesmo desentendimentos e brigas dentro da empresa.
Para os paranoides, os comentários e acontecimentos mais comuns podem ter um significado oculto que é humilhante e ameaçador. Elogios e agrados, mesmo que só por educação, podem ser interpretados com segundas intenções.
O isolamento social é comum, uma vez que no Transtorno de Personalidade Paranoide há relutância em dividir informações pessoais, pelas suspeitas infundadas de que estas serão usadas conta si.

Causas

As causas não são conhecidas, entretanto há uma incidência maior naqueles que têm histórico familiar com Esquizofrenia e Transtorno Delirante.

Diagnóstico

Como mencionado acima, a paranoia não é exclusiva do Transtorno de Personalidade Paranoide. Outras psicopatologias apresentam sintomas (além da paranoia) semelhantes e sobrepostos, dificultando o diagnóstico e justificando assim o porque deve ser feito por profissionais da saúde mental. Como eu sempre deixo claro neste blog, a pretensão dos textos não é fornecer informações para autodiagnóstico mas sim informar, da forma mais clara possível, sobre os Transtornos de Personalidade (principalmente), assuntos relacionados à Psicoterapia e Psicologia.
O diagnóstico é feito a partir do histórico e respostas fornecidos pelo paciente ao psiquiatra ou psicólogo. A desconfiança e relutância em passar informações, expressando um medo injustificável de relatar acontecimentos ao profissional já é um sinal relevante, pouco importando o conteúdo da informação neste caso.
Pacientes com Transtorno de Personalidade Paranoide não procuram ajuda espontaneamente. Em geral são levados ao consultório por parentes pois não acreditam que haja algo de errado com eles, mas sim nos outros. Talvez esse texto faça muito mais sentido aos que convivem com quem tem o transtorno do que aos próprios paranoides.

Tratamento

A primeira preocupação é fazer com que o paciente, muitas vezes levado pela família a contragosto, adira ao tratamento. Se os pacientes com esse transtorno desconfiam de tudo e de todos essencialmente, irão desconfiar do psicólogo e do psiquiatra também.
O tratamento é feito com psicoterapia. A medicalização pode ser necessária dependendo de como se expressam os sintomas.
A paranoia aparecerá diversas vezes na psicoterapia e o psicólogo deve estar preparado para o manejo dessas situações. Por exemplo, o paciente pode iniciar a sessão com a seguinte frase:
“Não sei porque você me mandou vir às 10h30 se só me chamou às 11h. Fiquei meia hora na sala de espera.” Neste exemplo vamos levar em consideração que o psicoterapeuta, de fato, não falou para o paciente chegar as 10h30.
Discutir com o paciente é contraproducente e pode ocasionar o abandono do processo. A sessão pode ter melhores resultados se o psicólogo se preocupar menos em provar que o paciente está errado e mais no motivo que levou o paciente a entender que deveria chegar às 10h30.  Por exemplo:
“Eu não me lembro de pedir para você vir às 10h30. Vamos lembrar o que conversamos na sessão passada? Quem sabe podemos identificar o que eu disse que te fez entender que era para vir as 10h30.”
A psicoterapia ajuda o paciente a se conhecer e aprender a lidar com os sintomas, melhorando seus relacionamentos interpessoais tanto no dia a dia quanto no trabalho.

Fernando Parede

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Referências
American Psychiatry Association [APA]. (2002). DSM-IV-TR. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. (4a ed., C. Dornelles, trad.). Porto Alegre, RS: Artes Médicas.
GABBARD, GLEN O. Psiquiatria psicodinâmica na prática clínica. Quarta edição. Porto Alegre: Artmed, 2006. 462 págs.
HEALTHLINE. Transtorno de Personalidade Paranoide. Disponível em: <http://pt.healthline.com/health/transtorno-da-personalidade-paranoide#Panoramageral1> Acesso em: 07 mar 2016.
KIRCH, D. G. PICKA, D. SHOE, D. Paranoia. Disponível em: <http://www.psiquiatriageral.com.br/tema/paranoia.htm> Acesso em: 07 mar 2016.
PAREDE, F. Transtornos de Personalidade. Disponível em http://asformasdeser.blogspot.com.br/2016/02/transtornos-de-personalidade_29.html Acesso em: 07 mar 2016.
PSICOLOGIA NA NET. Transtorno de Personalidade Paranóide – Ciúme doentio – Desconfiança – Diagnóstico e Tratamento. Disponível em <http://www.psicologiananet.com.br/transtorno-de-personalidade-paranoide-%E2%80%93-ciume-doentio-desconfianca-diagnostico-e-tratamento/1261/> Acesso em 07 mar 2016.

29/02/2016

Transtornos de Personalidade

Transtornos de PersonalidadeO texto a seguir apresenta definições gerais dos Transtornos de Personalidade, sem a pretensão de fornecer informações para autodiagnóstico.
A divisão por categorias e a definição dos transtornos descrevem características específicas e comuns a cada um deles, mas isso não significa que todos os indivíduos sejam exatamente iguais e que preencham todos os requisitos para diagnóstico, que deve ser feito por profissionais da saúde mental.
Definição Geral
Os Transtornos de Personalidade são caracterizados por um padrão de comportamentos, relacionamentos e pensamentos que se manifestam continuamente afetando o relacionamento interpessoal e social das pessoas que os têm.
O DSM-IV-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 4º edição — revisada) coloca os Transtornos de Personalidade no eixo II, que entre os cinco eixos corresponde aos já citados e ao retardo mental.
Hoje o DSM está na sua 5º edição (DSM-V) e nela a divisão por eixos foi modificada, causando concordâncias e discordâncias, mas por se tratar de um assunto extenso e que foge do propósito principal deste texto não vou me aprofundar nele e levarei em consideração a 4º edição revisada, pela praticidade da classificação e por ser a mais atual antes da quinta edição.
Os critérios diagnósticos para os Transtornos de Personalidade são os mesmos tanto para o DSM-IV-TR quanto para o DSM-V.
Mesmo fazendo parte de um eixo, esses transtornos ainda são divididos em três grupos:
Grupo A: Transtornos de Personalidade Paranoide, Esquizoide e Esquizotípica. Estes transtornos se agrupam por serem excêntricos ou estranhos.
Grupo B: Transtornos de Personalidade Borderline, Narcisista, Antissocial e Histriônica. São transtornos dramáticos, imprevisíveis e/ou irregulares.
Grupo C: Transtornos de Personalidade Obsessivo-compulsiva, Esquiva e Dependente. Se agrupam por serem transtornos ansiosos ou receosos. Nota: No DSM-5 o termo Esquiva foi substituído por Evitativa.
Grupo A
Ter pensamentos paranoides isolados e circunstanciais não caracteriza uma patologia. Já no Transtorno de Personalidade Paranoide esses pensamentos são constantes e comuns ao indivíduo, fazendo parte da forma como ele se relaciona com as pessoas e de como compreende o mundo. Os indivíduos com Transtorno de Personalidade Paranoide sempre suspeitam, sem fundamentos suficientes, serem explorados, enganados, humilhados ou ameaçados.
Esquizofrênicos podem ter pensamentos paranoides constantes, mas isso não significa que tenham uma personalidade paranoide pois nesse transtorno os indivíduos não estão em surto ou em curso de uma condição médica como na Esquizofrenia.
Indivíduos com esse transtorno vivem isolados, tanto por quererem quanto pelo afastamento que causam nas pessoas. São caracterizados pela excentricidade. Alguns procuram ajuda voluntariamente por não suportarem a solidão enquanto outros são levados, a contragosto, pela família ao psiquiatra ou psicólogo. Os esquizoides não têm certeza de quem são. Seus pensamentos e sentimentos são conflitantes apesar de externamente se demonstrarem frios, distantes e indiferentes à criticas ou elogios.
O Transtorno de Personalidade Esquizotípica tem algumas semelhanças com o Esquizoide, pois os indivíduos também vivem isolados, têm aparência excêntrica e indiferença à críticas ou elogios. Mas, diferentemente da categoria citada acima, os esquizotípicos têm ideações paranoides e são desconfiados. Demonstram pensamento e discurso vago, estereotipado e crenças supersticiosas, de clarividência, telepatia (sem estarem de acordo com as normas da subcultura do indivíduo, ou seja, independente de religião).
Grupo B
É o transtorno central deste grupo, afinal os transtornos de personalidade Histriônica e Narcisista podem ser definidos a partir do que diferem deste em questão.
No Transtorno de Personalidade Borderline as pessoas sentem um medo intenso de serem abandonadas e ficarem sozinhas, cultivando relações de exclusividade com os que estão à sua volta e fazendo de tudo para manter essa relação como, por exemplo, cortar os pulsos. Esses atos frequentemente desencadeiam reações adversas dos que convivem com quem tem p transtorno, piorando a situação já que tais comportamentos podem aguçar ainda mais o pavor que o indivíduo com borderline tem pelo abandono. Sendo assim o padrão de relacionamentos interpessoais é sempre instável e intenso.
Até que ponto o amor-próprio é saudável e em qual ponto passa a ser patológico? Esta é uma pergunta difícil de ser respondida pelos profissionais da saúde mental.
Gabbard (2006) menciona um tipo de narcisismo que não é citado no DSM-IV-TR: o narcisismo tímido. Diferentemente do narcisismo clássico o narcisista tímido não espera refletores apontados para si, mas tem uma grandiosidade silenciosa. Em seu livro, Gabbard (2006) os classifica como narcisista distraído e narcisista hipervigilante. Enquanto o narcisista distraído necessita ser o centro das atenções o hipervigilante (tímido) evita.
Os narcisistas têm uma concepção grandiosa acerca do que são, tendo uma impressão de ser especial, exigindo assim, tratamento diferenciado injustificadamente. Podem sentir muita inveja mas sempre se veem como alvo dela.
Os pacientes com Transtorno de Personalidade Antissocial são casos de psiquiatria e psicoterapia ou são um caso de polícia? Alguns classificam este transtorno como intratável, mas existe uma variação, mesmo dentro da mesma categoria, que pode ir daqueles intratáveis àqueles que podem receber atenção clínica sob algumas condições.
Indivíduos com Transtorno de Personalidade Antissocial são incapazes de adequarem-se às normas sociais, executando repetidamente atos ilícitos. São propensos a enganar, mentindo repetidamente, usando documentos falsos para obter vantagem.
São impulsivos, irritáveis e agressivos, envolvendo-se em brigas constantemente, desrespeitando a segurança própria e alheia. Não sentem remorso.
A conduta antissocial pode aparecer secundariamente em outros transtornos.
As pessoas com esse transtorno querem ser o centro das atenções, sentindo certo desconforto quando isso não acontece. Interagem com os outros de maneira inadequada e sexualizada. Mudam rapidamente a forma de expressar emoções.
Costumam considerar os relacionamentos mais íntimos do que realmente são e facilmente são influenciados pelos outros ou pelas circunstâncias.
No Transtorno de Personalidade Histriônica a pessoa demonstra exibicionismo, impulsividade, sedução e desamparo.
Grupo C
O Transtorno de Personalidade Obsessivo-compulsiva (TPOC) é diferente do Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC). Eles se diferenciam pelos sintomas, pelos traços de caráter persistentes e personalidade.
Indivíduos com Transtorno de Personalidade Obsessivo-compulsiva preocupam-se excessivamente com detalhes no planejamento, dispendendo tempo elaborando listas e regras com detalhes não cumprindo o objetivo de efetuar a tarefa. São tão perfeccionistas que não conseguem terminar uma tarefa por não atingir os próprios padrões demasiadamente rígidos.
Em geral são muito devotados ao trabalho, a ponto de não terem momentos de lazer e são rígidos e inflexíveis nas questões morais, éticas e de valores.
Relutam em delegar tarefas e são teimosos.
Os indivíduos com esse transtorno se sentem frágeis perante os outros. Veem as pessoas como ameaça e por isso preferem evitar contatos. Entre os fóbicos sociais, o Transtorno de Personalidade Esquiva é o que mais aparece.
A característica principal desse transtorno é a inibição social, sentimento de inadequação e medo do julgamento negativo, ainda que sem justificativa ou fundamento real para essa avaliação.
Este transtorno pode atrapalhar a vida pessoal, social e profissional do indivíduo que, por se sentir inadequado e ter medo de novas responsabilidades e relações (que podem acarretar em novas críticas) evita fazer novas amizades ou aceitar uma promoção no trabalho. Preferem ficar “invisíveis”.
Transtorno de Personalidade Dependente
Pessoas com Transtorno de Personalidade Dependente têm grande dificuldade de tomar decisões sendo passivas na vida, deixando que as escolhas sejam feitas sempre pelo outro. Chegam a perguntar o que vestir, o que comprar etc, pois não conseguem decidir sozinhas.
Os dependentes necessitam dos outros para assumirem a responsabilidade em grandes decisões. Procuram parceiros que os protejam e os cuidem, estabelecendo relações amorosas de dependência.

Fernando Parede

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Referências
AMARAL, Márcio. DSM-5: Perdendo os eixos... Definitivamente. Disponível em:<http://www.ipub.ufrj.br/portal/ensino-e-pesquisa/ensino/residencia-medica/blog/item/477-dsm-5-perdendo-os-eixosdefinitivamente>. Acesso em 28 de fev. 2016.
American Psychiatry Association [APA]. (2002). DSM-IV-TR. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. (4a ed., C. Dornelles, trad.). Porto Alegre, RS: Artes Médicas.
ARAÚJO, Álvaro Cabral; NETO, Francisco Lotufo. A Nova Classificação Americana Para os Transtornos Mentais: o DSM-5. Disponível em:<http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/viewFile/659/406> Acesso em 28 de fev. 2016.
BARROS NETO, Tito Paes de; LOTUFO NETO, Francisco. Transtornos de personalidade em pacientes com fobia social. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo , v. 33, n. 1, p. 3-9, 2006. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832006000100001&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 28 Fev. 2016.
GABBARD, GLEN O. Psiquiatria psicodinâmica na prática clínica. Quarta edição. Porto Alegre: Artmed, 2006. 462 págs.
RENNA, M. A. L. Transtorno de Personalidade Esquiva. Disponível em:<http://www.psicnet.psc.br/v2/site/dicionario/registro_default.asp?ID=404>. Acesso em 28 de fev. 2016.
VIEGA, S. Como detectar o transtorno de personalidade dependente. Disponível em:<http://saude.umcomo.com.br/articulo/como-detectar-o-transtorno-de-personalidade-dependente-4639.html>. Acesso em 28 de fev. 2016.

26/02/2016

A Mentira

Provavelmente você ja deve ter ouvido os termos Mentira Compulsiva, Mentira Patológica ou até mesmo Mitomania, ou seja, pessoas que mentem demais. Este é um assunto que sempre me indagou então decidi fazer algumas leituras para entender um pouco melhor o tema. Encontrei muitos artigos esclarecedores e gostaria de compartilhar um pouco do que li, com vocês. Será um breve resumo para não ficar um texto muito extenso, mas os links estarão abaixo para quem quiser ler mais.

 A afirmação de que todos nós mentimos está presente em quase todas as redações, apesar de não serem citadas pesquisas que comprovem isso. Enfim, supondo que isso seja verdade, a diferença está justamente na condição da mentira, ou seja, no porquê, quando, onde e quantas vezes eu, você e as outras pessoas mentem.

 Existe de fato a Mentira Compulsiva, na qual a pessoa tem a compulsão por mentir e não consegue controlar esse impulso, como um vício. O mentiroso compulsivo/patológico pode desenvolver a doença por ter vivenciado situações nas quais a mentira proporcionou algum alívio, seja de algum sentimento ou realidade ruins. Entretanto, ao desenvolver a compulsão por mentir o objetivo não é mais lidar com algo frustrante ou decepcionante. A mentira torna-se um hábito, um vício incontrolável. O mentiroso compulsivo tem consciência da sua situação e sofre por conta disso, pois suas mentiras ocasionam em graus diferentes, prejuízos aos outros e a si, afinal, quanto mais uma pessoa mente mais fica difícil administrar as mentiras.

 Outra situação em que a mentira ocorre para compensar uma dor, sentimentos ruins ou realidade inaceitável é na Mitomania. Entretanto, a mentira nesse caso é mais fantasiosa, parecida com um delírio. O mitômano, diferente do mentiroso compulsivo, acredita em suas mentiras, sem ter a consciência de mentir.

 Nos casos acima a mentira aparece como fator principal da doença, mas em outros casos pode aparecer como sintoma de outros transtornos. Os mais citados são a Depressão e o Transtorno de Personalidade Antissocial.

 Enfim, como havia mencionado no começo do texto, a mentira isolada não é suficiente para diagnóstico. Há necessidade de saber quantas vezes, como e porque se mente, identificando assim o foco do problema. 

 Em casos não patológicos, em geral, a mentira também ocorre como uma defesa. Por exemplo, para lidar com um sentimento de inferioridade, um garoto pode contar histórias muto mais extraordinárias do que realmente aconteceram para seus amigos, ou então, difamar alguém para sentir-se superior. Quanto maior a mentira, maior o sentimento a ser encoberto. 

 Em casos de comportamentos mal aceitos pela sociedade, a mentira é usada para encobrir a realidade, mas isso também vai depender de como a pessoa percebe sua própria realidade, de qual sentimento ela tem diante às pessoas.

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Referências

Ballone GJ - Sobre a Mentira - in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=246>. Acesso em 04/01/2015.

Ballone GJ, Meneguette JP - Transtornos da Personalidade, PsiqWeb, internet, disponível em <http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=180>. Acesso em 03/01/2014.

Fischer C. P; Fontes M. A. Mitomania ou mentira compulsiva: O que você precisa saber
sobre este hábito? Disponível em <http://50.23.205.16/~cemp/arquivos/32622_61.pdf>. Acesso em 04/01/2014

Martins, P. C. R. As Várias Faces da Mentira: A Verdade Esclarecida? Disponível em <http://www.aems.com.br/conexao/edicaoatual/Sumario-2/downloads/2013/3/1%20%2838%29.pdf> Acesso em 03/01/2014